tá chegando a hora. daqui a 2 dias chego ao brasil, depois de quatro meses morando nos estados unidos, que sensação estranha essa de fazer as malas que nunca foram desfeitas.
voltam malas mais cheias, certamente. voltam cheias de coisas e de presentes para os outros. voltam também repletas de ideias, esperanças e saudades.
vai ser um ano novo quando eu chegar. parece que 2009 ainda está aqui; não vi fogos-de-artifício, não me joguei no mar, não beijei ninguém na boca. que virada de ano chata foi essa que parece que nem existiu — pra quem está acostumado com as mesmas tradições ver a virada de ano da times square pela TV não é a mesma coisa.
o ano ainda não terminou — mas estou fazendo contagem regressiva. dois mil e dez, pelo menos pra mim, começa agora no dia 1° de abril.
um pouco atrasado, eu sei, mas pelo menos agora eu posso fazer meus votos pra esse ano. 2010. apenas três coisas simples que acho que vão me ajudar a chegar em 2011 pelo menos um pouco mais feliz. aproveito pra compartilhar o sentimento:
desenhar mais
tocar mais
trepar mais
a lista poderia ser infinita mas o que é mais importante está aí. com bonus achievement de poder tirar minha carteira de habilitação. é algo que eu nunca quis tanto mas que agora eu pretendo buscar. pode ser que não role — por algum motivo específico e tal — mas pelo menos não será por eu me convencer que não consigo sem nem ao menos tentar.
melhor ainda se começar esse ano com bastante cachaça.
pegar a bicicleta emprestada para dar uma volta
mas parar pra encher o pneu antes
falar ‘oi’ pra todas as pessoas na rua com um sorriso no rosto
(porque você realmente quis dizer isto)
pedalar sem as mãos pelo cemitério
comprar um sanduíche no subway
e comer num parque próximo
empurrar a bicicleta no caminho de volta
descobrir uma rua cheia de casas legais
fazer planos
mudar de planos
se arrepender um pouco
esperar a noite chegar
começar a descobrir os inferninhos da cidade
se perder pelo caminho
e não saber usar o telefone público
ver muita gente estranha
ver muita gente não se importar também
dormir no sofá de gente estranha
acordar e comer waffles no café da manhã
(mas french toast contiua sendo o melhor breakfast ever)
assistir freaknik e não entender porra nenhuma
rir assim mesmo
andar 20 quarteirões até Rittenhouse
ver que todo mundo está lá
jovens, adultos, crianças e idosos
cachorros também
senhoras comendo suas bandeijas transparentes de salada
outros comendo cachorro-quente também
comprar um iced latte
e ver que tá todo mundo comprando
(super tendência)
ir a uma thrift store com novos amigos
e lamentar por não ter conhecido antes
(mas nem tanto)
aprender palavras novas
se despedir dos anfitriões
andar em direções opostas
e mudar de direção
comprar cachorro-quente de carrinho
sentar na grama enquanto come
beber uma pepsi
tirar um cochilo ouvindo los hermanos
começar a gostar desse país
começar a sentir saudades do brasil
(mesmo já sentindo)
lembrar dos amigos
ouvir gente tocando folk
jogar algumas moedas
não olhar pra trás
entrar numa loja da vans
sair logo em seguida
pegar o metrô de volta pra casa
(meu deus, como esse povo é porco)
chegar na estação e descobrir que não tem dinheiro pra próxima condução
pegar um jornal de graça do lado de fora
atravessar a rua procurando por um caixa eletrônico
sacar dinheiro
embarcar novamente
transferir para ônibus provisório
descer na próxima estação
encontrar um sofá verde na rua
e aproveitar para ler o jornal enquanto ainda está claro
chegar em casa
correr atrás do cachorro em volta da casa
tentar lembrar de tudo isso
(não necessariamente nessa ordem)
abrir a janela do quarto
lembrar que a essa hora deveria estar a caminho do aeroporto
e não se arrepender por nada disso.
Nesses meses aqui no hemisfério norte, pude realizar o sonho de ir a alguns shows que eu nunca teria a oportunidade de ir no Brasil. Na real, não fui a nenhum showzão ultra mega foda que eu mataria pra ir mas, mesmo assim, devo dizer que só fui em show bacana e olha que tiveram bandas que eu nunca havia escutado antes.
Os vídeos abaixo foram gravados com a câmera do meu celular. Nenhum deles está com qualidade realmente boa, então que seja para vocês terem uma ideia de como foi.
Open Mic
Um dos primeiros lugares em que eu fui aqui foi num pub aqui em Drexel Hill mesmo chamado McGillicuddy’s. Lá, a terça-feira é dia de open mic, ou seja, qualquer um pode ir no palco e tocar. As bandas tocavam vários covers e a maioria delas mandava realmente bem.
Imagine ai minha felicidade: há poucos dias aqui e era a primeira vez que ia a um lugar em que tocavam coisas que eu realmente gosto, como Jimmy Eat World, Kings of Leon e outros tantas.
The Rural Alberta Advantage
Tinha acabado de ler o artigo da Pitchfrok falando sobre o álbum dos caras quando vi no last.fm que eles fariam um show por aqui. Foi a oportunidade que eu esperava pra ir num show de verdade por aqui.
Já conhecia o Vetiver por nome mas realmente mal me lembrava da músicas dos caras. Eu imaginava que eles fossem bons, por isso fui ao show, mas a minha surpresa com a competência dos caras na mistura rock/folk/blues foi maior do que qualquer expectativa.
Uma coisa que eu nunca iria imaginar e que só fui perceber no show foi público do cara — praticamente, 90% de garotas, haha. Anyway, o rapaz tem uma desenvoltura bacana no palco e consegue preencher sozinho os espaços da música, ora com o seu violão com alça de lantejoulas ou seja descendo a mão na sua guitarra. Eu imaginei que uma banda completa fosse fazer falta mas acabou que foi completamente o oposto que aconteceu.
Segunda-feira, depois de sair do estágio sem ter comido nada o dia todo, resolvi passar num restaurantezinho chinês que tem perto do escritório.
O lugar é um restaurantezinho que só faz entregas. Ao entrar, vejo um cara no balcão tentando fazer o seu pedido pra mulher que tava atendendo; ela falava um inglês com sotaque que eu mesmo me recusei a tentar entender.
Uma coisa peculiar por aqui, principalmente em restaurantes orientais, é que não há um mísero item que lembre algo que eu já tenha comido no Brasil. A ideia não é comer a mesma coisa mas pelo menos entender o que raios é cada coisa no menu, já que a explicação é quase nula e não há figura alguma pros desavizados.
Fiz meu pedido e paguei com uma nota de $20. Depois de esperar uns bons 10 minutos botei a sacola de baixo do braço e corri pra casa.
Colocaram nem um biscoitinho da sorte. Vagabundos.
Foi uma experiência bem legal porque havia toda uma bancada de experts e empreendedores pra avaliar os projetos. E só tinha projeto FO-DA.
INFELIZMENTE, como nesse ano eu tou aqui na terra do sanduíche, não poderei ir a esse evento tão bacana MAS fiquei sabendo pelo Twiter que tem uma turminha legal da comunicação da Ufes que tá embarcando nessa.
Até agora não fiquei sabendo de ninguém do design Ufes que vai participar. Certeza que tem muitos projetos legais no curso que poderiam aparecer por lá.
New York, New Jersey, Nevada… já me perguntaram se eu estou em cada um esses lugares e embora eu tenha ficado apenas dois dias em NY, quando cheguei aos Estados Unidos, não cheguei nem a ir a New Jersey e sequer pisei em Nevada.
Enfim, estou nem mais nem menos na terra do Cheesesteak, dos Hoagies, do famoso Liberty Bell, dos Eagles — não a banda mas o time de futebol americano — e do Wawa. Estou falando da sempre ensolarada chuvosa Philadelphia que ao contrário do que você possa imaginar não é a capital da Pennsylvania. Pois é, essa eu também não sabia.
E essa casa aí é onde eu tou ficando agora, num lugar chamado Drexel Hill.
Sometimes, when you think you get the idea about a place you know a lot; you just realize that you don’t. Even when you know that place for years you still wouldn’t be able to picture or simply describe it. Sure you have feelings for that place but you couldn’t tell what, could you?
Then you move away to a totally different place and everything looks fresh and new and exciting. There are lots of people, lots of things you’ve never seen before, you know, so you start trying to understand this whole new world in which you’re in.
There are you — all full of ignorance. By the time you start to look around there’s this little piece of time, this little sparkle of a moment in which things are just things and places are just places. You don’t know anything, you haven’t given anything a value or attribute and you’re open for everything.
Later you’ll figure out that nothing’s new, nothing’s different — your mind is.
And when you remember your old place you see that’s not the same anymore. It changed. Changed because YOU changed.