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Todo criança que se preze já pegou durante uma daquelas aulas chatas de química na 8ª série o cantinho da página do livro e fez desenhozinhos em todas as páginas pra depois ficar passando rápido, mostrando para os coleguinhas as imagem em movimento, até fazer orelha nas páginas e levar esporro da mãe em casa, porque teria que vender o livro no final do ano. Mas o que você não sabia naquela época é que você estava fazendo um flip book.

O flip book, ou kineógrafo, foi inventado no final do século 19, e foi um dos brinquedos ópticos que antecederam o cinema como o conhecemos hoje. Digo mais, sem este e outros brinquedos que até hoje são referenciados por mega-boga blockbusters, não existiria sétima arte, nem Matrix, nem nada. Até mesmo aquele primeiro beijo que você deu durante aquela matinê de Titanic - tô mentindo? - nunca teria acontecido! Muito menos poderíamos hoje, jogar GTA4.

Apesar de velhos, hoje eles ainda são produzidos comercialmente como forma de brindes promocionais em eventos e coisas do tipo, como também podem ser feitos para presente ou mesmo por diversão. Quer presente mais original do que um cinema de bolso?

Existe uma empresa que faz flip books personalizados e até que eles possuem uma bela galeria de exemplos, mas você teria coragem - e cacife - para encomendar no mínimo 2.500 unidades desses? Então, o jeito é apelar para o melhor estilo punk faça-você-mesmo, buscar aqueles dotes designísticos que você tem guardado desde as aulas de artes do primário.

Mas antes de ensinar o caminho das pedras e mostrar como se faz um é preciso deixar claro alguns conceitos básicos sobre o funcionamento de um flip book, para que possamos entender qual a mágica por trás desse simples objeto de desejo.

Flip book #1
Flip book #1 - grid de montagem como ponto-de-partida para a capa.

É mais ou menos assim: como no cinema, o flip book nada mais é do que uma sucessão de imagens estáticas, impressas em algum tipo de suporte resistente, que ao serem passadas rapidamente, fazem uso de um fenômeno óptico conhecido como persistência da retina, para criar a ilusão de imagem em movimento. No cinema, as imagens passam a uma velocidade de 24 quadros por segundo, porém, devido aos limites do suporte que temos no flip book, as imagens passam mais ou menos a uma velocidade de 10fps.

Por esse motivo, a animação pode ficar pulando, mas é assim mesmo. Temos que reduzir a quantidade de imagens a serem impressas para algo em torno de 60, que é mais ou menos o suficiente para criar um bom efeito visual e uma duração para o seu flip book.

A etapa mais importante, e mais difícil, é sem dúvida a escolha do material a ser “animado”. As opções mais comuns são duas e dependem apenas da pessoa saber desenhar ou não. Desenhar quadro-a-quadro dará um resultado bem diferente do que se usar um vídeo já existente. O que é indispensável é que 100% ou a maioria da ação ocorra no canto direito do quadro, que é justamente a área mais visível de um flip book.

Outra coisa importante são as dimensões do livreto. Flip books - os promocionais, principalmente - possuem um tamanho compacto para caberem no bolso, mas devem ser grandes o suficiente para terem uma boa área de visão, para serem manuseado com os dedos e coisa e tal. O tamanho que encontrei durante os meus primeiros testes foi algo em torno de 8cm de largura por 6cm de altura.

Entretanto, outro formato interessante comumente usado é o de 10×5cm, que apesar de perder em tamanho vertical, ganha no tamanho horizontal, que pode ser bem interessante quando se deseja ver (quase) toda a extensão da página.

Além disso, deve-se escolher bem o tipo de papel usado. Folhas comuns do tipo sulfite 75g/m² dão conta pra fazer as páginas internas, mas ai fica a critério do freguês, ainda mais quando se tem papéis especiais disponíveis.

Uau! Como é possível?!

O formato deste flip book é 8×6cm, mas eu poderia ter usado o de 10×5cm. Se você fizer os cálculos, verá que numa folha A3 cabem 20 imagens, tanto de um quanto do outro formato, ou seja, pra fazer esse flip book de 60 quadros, gastei não mais do que 3 folhas A3 e uma A4 para fazer a capa.

Pra não complicar mais essa história toda, vou terminar este post por aqui, porque já está bem longo e já não tou conseguindo lembrar do que escrevi lá em cima.

Mas não se desespere. Sei que você deve estar louco de vontade de fazer um destes, aproveitando que tá no trabalho de bobeira e tem papel e impressoras de sobra o suficiente para imprimir a Trilogia de Senhor dos Anéis inteira em full-motion.

Então, no PRÓXIMO POST, que prometo que será logo logo, explicarei direitinho como fazer. Não desgruda daí!

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