É difícil imaginar que algumas coisas no nosso país podem melhorar, mas de vez em quando somos surpreendidos com vestígios de trabalho sério e aí podemos ver que existe trabalho sério onde menos esperávamos.

Há pouco tempo, o Restaurante Universitário da Ufes servia umas refeições medianas por um preço até barato pra comunidade acadêmica. E o que eu quero dizer com “refeições medianas” é o seguinte: se você conhece um típico restaurante universitário, sabe que a comida de RU é pesada pra caralho e te deixa empanzinado a tarde toda, que o suco - quanto tinha - não tinha sabor nenhum e acabava virando motivo de piada do pessoal tentando adivinhar o sabor do dia.

Bandejão do RU

Só que nos últimos meses houveram algumas mudanças na parte administrativa lá do restaurante que melhoraram enormemente a qualidade da comida e mantendo o mesmo preço. Sério, acho que deve ser a melhor refeição dentre todas as federais. Por R$1,50 (isso se for estudante) você come num bandejão com arroz, feijão, 2 opções de carne ou ovo, salada, complemento (tipo polenta, pirão, abóbora, etc), sobremesa e suco.

Tipo, pela primeira vez, desde que entrei na Ufes em 2005, dá pra dizer que a bandeja tá cheia - em todas as divisórias. Agora também o próprio aluno poder se servir, colocar o quanto quiser na bandeja - menos a carne, que é a tia que coloca -, sem desperdício de sobrar comida e tal. Isso na teoria, porque fico assutado às vezes quando vejo bandejas cheias indo pro lixo, mas tudo bem.

O triste é ver que essas mudanças não se repetem em outros lugares tão freqüentemente. A falta de professores e carência de cadeiras no meu curso (Desenho Industrial) é uma realidade. Recentemente o curso sofreu algumas perdas de professores que ou estão de licença para fazerem doutorado ou simplesmente pediram demissão. Problemas estruturais e de manutenção no campus também são comuns de serem vistos e até noticiados nos jornais.

E pelo jeito isso deve ser uma situação generalizada em outras universidades, pelo menos é o que eu ouço de alguns colegas por aí. Não tirando o mérito da direção do RU e de quem trabalha sério, mas resta a dúvida se querem nos pegar pela barriga, numa tentativa sutil e safada de suavizar os problemas que a universidade pública vem enfrentando e que o governo diz que tenta sanar ou se é apenas o nosso querido Brasil dando certo e aprendendo a voar como um pássaro caolho que sai do ninho pela primeira vez e ainda está assustado com a imensidão que é o mundo lá fora.

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5 Responses to “A gente não quer só comida”
  1. Que bom que melhorou, na minha época de Ufes era tenso. Suco de amarelo, de verde, de branco…
    Lembro uma vez que pedimos ao diretor do RU para fazer um trabalho de fotografia na cozinha (para comprovar o não algumas lendas urbanas) e ele disse “vem na quarta que a gente prepara um bobó de camarão”… hahaha
    O preço continua o mesmo, incrível!

  2. Saulo,

    parabéns pelo blog, me chamo Felipe Souza e deixei o meu email ai para gnt troca correntes neurais e movimentar a umbigosfera capixaba!

    RU, ha o Ru, rapaz aquilo ali é o inferno e o céu para mim…. agora suco de amarelo é o melhor - fato!

    Abs

  3. e quem não come carne, fica como?
    a bandeja pode estar cheia, mas não significa muita coisa né :T
    saiu na última edição do No Entanto, na matéria principal, que um grupo de estudantes está organizando um abaixo-assinado para reivindicar um cardápio para os vegetarianos. Legal né?
    até mais!

  4. Saulo, valew brow….

    depois conversamos melhor estou com uns projetos bacanas e vou precisar do seu help…. mas sao coisas para um butecada…

    seguinte disponibilizei a segunda parte do HQ Batman!

    Abs

  5. Augusto Rückert says:

    Olá Saulo,
    Sei que o post é antigo, mas acabei lendo e…

    Sou estudante de Design da UFRGS, e fiquei impressionado com a foto e os comentários sobre o RU. Parece o nosso RU aqui (isso deve ser federealizado). As bandejas são iguais, o suco colorido sem gosto é igual (e concordo com o comentário acima, o de amarelo é o melhor). Mas por aqui não houveram melhorias.

    Quanto ao curso, estamos na mesma situação, ou talvez até pior. Professora se demitindo, falta de professores, milhares de substitutos. Não temos laboratório de prototipagem, temos um laboratório de informática, que não cobre todas as necessidades do curso, e por aí vai.

    Fico triste em saber que isso se repete em outras federais.

    Abraços solidários.

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