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Comprar é mais do que o velho hábito de gastar dinheiro

Tal qual comer e fazer sexo, comprar é um ato prazeroso para nós seres humanos primitivos da sociedade capitalista ocidental. Ao longo da história, comprar deixou de ser apenas um ato necessário para aquisição de mercadorias essenciais para sobrevivência para algo além da justa exibição de status e classe social, graças ao chamado consumismo.

Consumismo, resumidamente, é a força primordial que rege os diversos mundos paralelos chamados Shopping Centers. Nesses mundos existem basicamente três personagens distintos atuantes: as lojas, com seus produtos ou serviços a venda, sejam eles caros ou baratos, bons ou ruins, necessários ou totalmente dispensáveis; os consumidores, com seus anseios, desejos, inveja, luxúria e outros adjetivos que se convém chamar de pecados capitais; e por último o personagem transitório, abstrato, raro e periodicamente instável: o dinheiro.

Alguns matemáticos já tentaram construir equações que explicassem satisfatoriamente essa complexa relação entre os indivíduos desse sistema, mas somente conseguiram chegar a duas definições:

  1. Dinheiro, quando sob posse de consumidores do sexo feminino torna-se bastante volátil e pode assumir valores negativos crescentes rapidamente, quando expostos a liquidações, regidos por cálculos chamados de juros ao mês que tendem ao infinito.
  2. Dinheiro, quando sob posse de consumidores do sexo masculino tende a se transformar numa substância líquida gelada de cor dourada. Pode demorar um pouco mais para ser gasto mas ao final do mês acaba assumindo um valor negativo maior do que o das mulheres.

Entretanto, nesse mundo desregrado da gastação de dinheiro, no qual o salário ganho não é lá grandes coisas, comprar está se tornando cada vez mais difícil. Hoje em dia temos mais opções de produtos do que nunca, de marcas diferentes, com características que vão desde o básico até o ultra-maxi-power-sofisticado. Entram ai dezenas de fatores decisivos para um compra de um objeto por vezes supérfluo.

O que fazer então para fugir dos momentos de dúvida, dentro de uma loja ou num site, com o cartão de crédito na mão, pronto para ter boa parte do seu salário debitado? Bem, a sorte é que hoje temos acesso a informação e com ela podemos pesquisar antes de comprar alguma coisa que estamos em dúvida. Há milhares de blogues por aí, muitos deles especializados num tipo de produto.

Além disso, temos amigos e pessoas que nos recomendam coisas, certo? Assim como há os tradicionais geeks de gadgets, de computadores, de câmeras digitais e etc, temos também os geeks de roupas, os geeks de cervejas, os geeks de restaurantes, os geeks de carros e tudo o mais que pudermos pensar!

Essa forma de marketing é sem dúvida uma das mais efetivas e confiáveis, visto que não há toda a formalidade e distância entre a empresa e você e eu, consumidores. Outro dia mesmo eu estava no boteco com a galera do Blogcamp, quando vi a mochila do Dulcetti. Porra, mochila fodassa pra laptop que ele havia comprado numa loja da Le Postiche, com compartimento para o que você pudesse imaginar e tudo mais, mas por um preço salgado demais para mim.

Eu podia ter esquecido desse assunto mas não foi o caso. Nesse sábado eu fui ao shopping aqui perto de casa e subindo a escada rolante, dei de cara com uma loja da mesma marca da mochila do Dulcetti[bb]. Como desde aquele dia já estava pensando em comprar uma bolsa pra mim, não pensei duas vezes e fui entrando na loja.

Tava meio com pressa porque tinha combinado de ir no cinema com uns amigos, mas acabei encontrando uma mochila que parecia compatível comigo, não muito grande nem muito cara. Chorei um desconto de 5% e levei sem nem pensar muito e até mesmo sem ter pesquisado em outra loja. Só depois que fui me dar conta da cagada que poderia ter acontecido, mas não podia reclamar mais naquela hora.

E não havia do que reclamar mesmo. Se depender das recomendações que recebi, a mochila parece que me servirá muito bem, principalmente com relação a durabilidade, que na maioria das vezes deixa a desejar.

É bom dar valor ao seu dinheiro e o melhor jeito de fazer isso, quando se quer comprar algo, é pesquisando, pedindo opiniões, buscando em sites especializados e etc. Já cheguei ao ponto de até fazer uma busca no Google usando o WAP do meu celular para saber o preço de um perfume, antes de comprá-lo.

Agora eu entendo o que as mulheres pensam ao rodar um shopping cinco vezes até comprar o vestido que elas haviam visto logo na primeira loja. Ah, mulheres, tão espertas! ;)

E você, já comprou alguma coisa por recomendação de algum amigo? Já recomendou alguma coisa para alguém? Diga aí nos comentários.

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