Arquivo de novembro 2007

Por causa da mudança do último mês, ficou impossível para eu responder ao “meme do livro”. Isso porque eu ainda não tenho guarda-roupa e a maioria das minhas coisas ainda estão dentro das caixas.

Pois então, hoje eu fui num sebo atrás de um livro infanto-juvenil antigo que eu li quando estava lá pela 6ª série e era da turma do Lucas Lima em São Mateus - conto isso melhor no próximo meme, das 5 coisas da infância.

A tia Aninha, que dava aula português, sempre fazia uma coisa chamada “Ciclo de Leitura” no qual toda semana - ou mês? - cada aluno pegava um livro da biblioteca para ler e um dos que eu mais gostei mesmo foi A Serra dos Dois Meninos, o qual faz parte da coleção Vaga-lume, que também tem outros livros muito legais. Livro bem bacana que conta a história de dois meninos perdidos no meio da mata e coisa e tal.

Mais daí a gastar 5 reais só pela nostalgia de ler o livro novamente não me convenceu. Outro dia eu volto lá e leio escondido. Mas para não sair de mãos vazias, fui vasculhar nas outras prateleiras alguma coisa bacana, que pudesse matar minha sede literária, e foi lá nos livrinhos da L&PM Pocket que eu encontrei o livro que irei citar no próximo parágrafo.

- [...] Que diabo você tá dizendo aí, Cherry? [...]

Crônica de um amor louco. BUKOWSKI, Charles.O excerto acima foi retirado do livro Ereções, Ejaculações e Exibicionismos: Crônica de um Amor Louco, de Charles Bukowski, já citado várias vezes pelo pessoal lá do FHBD. Barbaridade, nem comecei a ler o livro ainda mas já posso sentir a crueza e visceralidade que exala das palavras de Bukowski. Tipo de texto que eu precisava beber direto na fontes há um bom tempo.

Agora é com vocês. Convido qualquer um que quiser participar, principalmente vocês, meninas - Paula, Joana -, que eu sei que lêem este humilde blog. Peguem o livro que estiver mais próximo de suas delicadas mãos, abram na página 161 e copiem a 5ª frase da página. Parnes, você também está mais do que convidado a participar da brincadeira.

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A identidade visual do Vitória Cine Vídeo, desde seu início, sempre seguiu uma estética à la Bauhaus, com cartazes diretos, com cores chapadas, explorando gráficamente os elementos da tipografia.

Cartaz 14º Vitória Cine Video

Uma primeira análise sobre o impresso me fez pensar: “letras japonesas?”. A diagramação em três colunas e a rotação do número 14 nos faz perceber uma semelhança com letras de origem oriental. Ainda, somando a isso as cores amarelo e preto, seriam uma referência direta a Kill Bill ou até uma homenagem a Quentin Tarantino, exaltado grandiosamente no excelente Tarantino’s Mind?

Sem dúvidas um belo trabalho de construção de identidade. Só gostaria que no próximo ano a organização do festival criasse um impresso mais elaborado, que incluisse também as sinopses dos curtas, como no Indie Festival 2007 de Belo Horizonte - que não foi um festival de curtas, mas estava repleto de bons filmes.

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Antes que Seja Tarde não é apenas uma ficção adolescente como essas que vemos em qualquer lugar ou até mesmo na televisão. Aqui, vivemos a experiência de Digo – representado pelo ator Fábio Lucindo que também empresta sua voz para vários personagens de desenhos animados, então não estranhe se perceber alguma semelhança com um “Vai, Pikachu!”. Digo é um rapaz sonhador que tenta lidar com seus sentimentos da melhor maneira possível através de sua fase de pré-emancipação e de estudante pré-vestibular.

A maneira que o filme é dirigido, envolvido na mesma profusão de pensamentos entre-cortados por lembranças e sonhos da cabeça de Digo, num ritmo acelerado e quase caótico é a imagem exata do funcionamento da cabeça de um adolescente com suas paixões, dúvidas, angústias e questões filosóficas. Digo tem escolhas difíceis a fazer e não sabe como fazê-las – ou não quer fazê-las –, algo que ele aprenderá com a experiência que ele ainda não tem.

Assim, também somos apresentados aos seus amigos, personagens diferentes mas que invariavelmente acabam tendo as mesmas dificuldades que Digo, como a insegurança.

Mais do que nos contar a sua história, Digo nos faz sentir o que ele sente, ter as dúvidas que ele tem, tudo isso graças à visão que o diretor nos dá através da narração em primeira pessoa, da bela montagem fotográfica e da trilha sonora, que preenche de forma exata os espaços deixados nos momentos de reflexão enquanto ele anda de bicicleta.

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A semana se foi e com ela, o 14º Vitória Cine Vídeo, evento que reuniu grandes nomes do audiovisual brasileiro e que agitou os capixabas com muita cultura e arte em todos os cantos da cidade.

14º Vitória Cine Video

Saindo um pouco dessas “frescuras” de apresentação, só tenho a dizer que o evento foi do caralho. Grande oportunidade de ver ótimos filmes brasileiros, conhecer pessoas e aprender bastante coisa. A cada ano o evento cresce mais e nesta edição tivemos a presença ilustre de Dercy Gonçalves, que foi homenageada pelos seus 100 anos de idade.

Além de assistir ao curtas no Teatro Glória, participei da oficina “O curta-metragem brasileiro: história e crítica”, dada por Rodrigo de Oliveira da revista Contracampo. Na oficina podemos debater bastante sobre as críticas, re-assistir aos curtas e assistir a alguns clássicos do cinema brasileiro.

E a semana passou rápido demais. Horas de filmes e experiências acumulados, algo único e muito importante para a minha carreira neste ano. Um designer precisa muito mais de repertório, de dicionário imagético e textual do que de meros conhecimentos técnicos. A visão poética e crítica do cinema, a sensibilidade ao se experimentar sensações transmitidas apenas pela junção de diversos canais de percepção dão ao designer embasamento para o desenvolvimento de novas idéias e práticas projetuais, fugindo do lugar-comum tão pobre em questionamento.

Pra quem perdeu ou quer assistir novamente a alguns dos vídeos, pode acessar o site Porta Curtas, um acervo fodasso de curtas brasileiros disponíveis grauitamente na internet. Cadastre-se lá também, vale muito a pena para votar e fazer sua seleção de curtas favoritos. Em breve, postarei também alguns dos curtas que assisti junto com as críticas dos mesmos, aqui no blog. Algumas das críticas já podem ser lidas no blog do Vitória Cine Vídeo e possivelmente em breve também poderão ser lidas no Overmundo, junto com outras textos meus.

Entre os meus curtas preferidos da semana, vale citar: O Lobinho Nunca Mente, Paralelos, Antes que Seja Tarde, Final Feliz, Solidão Sem Fim, Lúmen, Réquiem, O Jumento Santo e a Cidade Que Se Acabou Antes de Começar, Borralho, Câmara Viajante, Saliva, Era Uma Vez, Vida Maria, Tarantino’s Mind, Igreja Revolucionária dos Corações Amargurados e Transtorno.

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Começou hoje e vai até o dia 17 de novembro o 14º Vitória Cine Video, festival que acontece na cidade e que promove a produção audiovisual realizando a mostra competitiva nacional de curta-metragens. Este ano a mostra competitiva terá 100 filmes, além de uma programação semanal com cinema na praia e outros eventos que movimentarão a cidade.

14º Vitória Cine Video

Outra coisa bacana que tá rolando - e que eu estou participando - é a oficina de crítica e história de curtas de cinema que começou hoje e vai até sexta-feira. Nessa oficina, vamos produzir algumas críticas feitas à partir dos curtas do festival e que serão publicados no blog do festival durante a semana.

Além dos curtas exibidos hoje no Teatro Glória, queria destacar a exibição do longa A Casa de Alice, de Chico Teixeira:

O sonho de uma família feliz sempre existiu nos sonhos da classe média brasileira da década de 90. Mas em meio ao detalhado retrato de uma família de São Paulo, descobrimos diversos mundos paralelos cheios de segredos, guiados pelo egoísmo de cada personagem. No fundo, todos vivem à beira de um colapso que é mantido apenas pela avó que é menosprezada por todos da casa.

A brilhante atuação da protagonista Carla Ribas nos mostra uma mulher cansada que procura por algo que a faça se sentir viva novamente, revivendo paixões da juventude. A impressão que fica é que a história poderia ter acontecido com qualquer um de nós, ao nos depararmos com elementos e situações que fizeram parte da infância de grande parte das pessoas: a traição, os filhos ociosos, o dia-a-dia pacato, o poder aquisitivo restrito e o desejo de ascensão social, entre outros conflitos familiares.


Se não abrir, clique aqui.

Ao assistir a este filme tenho um sentimento de nostalgia dos anos 90 que traz consigo várias lembranças de bons e maus momentos da minha infância, principalmente pelo sentimento de impotência de quando se é criança, quando o mundo todo passa em frente aos seus olhos e você não pode controlá-lo.

Mesmo com um orçamento baixo, a produção do filme conseguiu caracterizar de forma bela e sincera o apartamento em que a família vive, expondo com clareza as características de uma realidade que é pouco tratada pelo cinema nacional e que se bem trabalhada pode resultar em ótimos filmes, como este que assisti.

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