Eu nunca fui viciado em jogos de videogame e até hoje tive somente um console, um Turbo Game da CCE. Era um console de má qualidade, mas que aceitava cartuchos de NES e Famicom, uma beleza. Íamos eu e meu pai até a locadora de VGs, pegávamos um cartucho qualquer e então jogávamos nós dois ou eu sozinho. Joguei até ganhar o meu PC, depois de quase ter destruído completamente o videogame.
Passei horas pesquisando no Google para encontrar alguma fotinha dele e me bateu uma saudade danada daquela época, mas aí está:

Saudades…
Devido ao fato de ter jogado Pac-Man neste console, durante boa parte da infância, tive que me contentar em jogar na casa dos primos e amigos ou em locadoras. Claro que jogar na casa dos outros era uma grande vantagem, já que eu não precisava gastar dinheiro algum com consoles nem com jogos e ainda poderia me abastecer de refrigerante nos lanches da tarde.
Até o dia em que um amigo me mostrou um jogo chamado Tony Hawk Pro Skater. O game era praticamente o sonho da maioria da molecada da época que não sabiam fazer porcaria alguma em cima de um skate, mas que tiravam uma tremenda onda de sk8er.

Half-pipe bugado.
Assim, foram vários dias perdidos à base de Coca-Cola, pipoca de microondas e Tony Hawk. Certa vez, um amigo levou o videogame dele na minha casa, e durante o fim-de-semana, fizemos um campeonatozinho.
Cada qual, com suas técnicas especias de apertar todos os botões do controle simultaneamente e aleatoriamente – sempre com a camisa em cima do controle, coisa de bixa – a fim de fazer o maior combo possível. Mas havia um macete para ser descoberto naquele fim-de-semana. Eu fui o responsável por mandar para o espaço toda a honra do jogo.
Utilizando as técnicas supracitadas de apertar todos os botões ao mesmo tempo, descobri maliciosamente a seqüência
, que fazia com que cada manobra fosse multiplicada por 10, multiplicando assim, por 10, a raiva dos amigos, que logo me forçaram a contar o macete.
Os bugs do jogo – que o faziam ser digno do título de jogo mais bugado de toda a história da borda ocidental da galáxia – permitiam se realizar as manobras, batendo contra as paredes e mesmo assim não cair. O que era uma coisa que desafiava até mesmo as leis da física Bludiana, já que se você levar uma porrada na cara, imediatamente deverá cair no chão e gritar de dor.
Também era muito fácil fazer com que o skatista ficasse “preso” num dos obstáculos da pista e assim, poderia se realizar inumeras manobras até o tempo acabar. Não digo que eram infinitas, pois quando fazíamos um combo com mais de 20 manobras o jogo travava e era preciso resetar o aparelho.
Acabou que o torneio se transformou numa competição para tentar fazer o maior número de pontos em 2 minutos. Uns dizem que o recorde foi dois milhões, mas eu digo que chegamos à casa dos três milhões de pontos, por aí. Jogada de mestre, sacomé. Foi tanto vicio, que tive que pedir pro muleque deixar o videogame durante alguns dias comigo. Fui dormir, para poder jogar no dia seguinte.
Eis que no dia seguinte, em meio a um monte de CDs de jogos sem importância, vejo que o CD do Tony Hawk tinha uma etiqueta colada nele, mas sem nada escrito nela. Então eu ARRANQUEI a etiqueta do disco, a qual deu lugar a um buraco, e coloquei o disco no videogame.
Estranhamente, o jogo não funcionou como de costume. Tentei colocar a etiqueta de volta ao lugar no disco, mas a porcaria não quis funcionar de jeito nenhum.

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